O inerte

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Parado estava e assim fiquei. Não encontrava sinais em meu corpo que pudessem me mover dali. Hora sentia o frio do chão, outrora o calor do álcool que ainda fazia seu caminho no meu interior. Os olhos foram cerrando sem que eu quisesse.


Sinto que para algum lugar estou indo. Quero saber onde, mas não posso, não consigo. Quem me guias? perguntava aflito. Não ouvia resposta. Tentei mais uma vez mover, mas meu corpo em pausa estava irredutível. Para alimentar minha curiosidade uso o meu feelling. Sinto que és delicada e cuidadosa. Sei que percebeu como meu corpo estava. Não sentia desespero ou medo. Estava confiante.


Para onde me levas?! - Meu vocabulário era remoto. Não por vontade, já tinha perdido de vez o controle sobre meu "eu".
Ouvi risos. Graciosos. Como se fosse proibido sentir tal júbilo.
Resolvi então "brincar". Foi em vão. Preferi esperar.


Merda - agressivo reajo e soco a mesa. Mas tenho motivos, já é a segunda vez que o queijo vem estragado. Depois que o antigo funcionário foi demitido minhas encomendas já não estão à meu gosto. Mas procuro esquecer o fato para tentar decifrar o momento passado.
Depois de me entregar ao destino, lembro-me de ter escutado uma voz grossa perguntando sem parar "Onde está a Bethania?!". Tenho quase certeza de que quem me carregara era essa tal fulana, a Bethania. Antes do suposto homem procurá-la, sei que não sentia mais presença de niguém. Meu corpo estava inerte.

Passo o dia me perguntando: Onde está Bethania?

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